2020 foi um ano difícil, sem dúvidas. E como boa válvula de escape que são os videogames, fazia tempo que não tinha passado tanto tempo jogando. Não que eu não tenha feito outras coisas também: foi o ano que voltei a estudar game design de jogos de tabuleiro (e jogar alguns), comecei a reassistir Doctor Who com minha namorada, vi algumas séries novas - Brinquedos que Marcam Época e Good Omens pra citar algumas - e ouvi bastante música. Mas, realmente, videogame foi uma parte importante das minhas técnicas pra não enlouquecer trancado em casa.

Há alguns anos, eu fiz uma lista de fim de ano bem abrangente sobre o que eu tinha consumido em 2016 e gostado bastante (“As coisas boas que joguei e assisti em 2016”), mas esse ano eu quero repetir falando de joguinhos apenas. Então aqui vai a minha lista dos 20 MELHORES JOGOS QUE JOGUEI EM 2020 (não quer dizer que foram lançados em 2020, mas que eu joguei esse ano só).


20) Banjo-Kazooie: Grunty’s Revenge

Game Boy Advance, 2003, Rare, THQ

Banjo-Kazooie: Grunty's Revenge

Banjo-Kazooie sempre foi um jogo que eu joguei, mas que nunca cheguei a terminar e começar a fazer isso pelo irmão esquecido da franquia é um fato engraçado. Grunty’s Revenge tenta trazer pra um portátil 2D (bem mais fraco que o N64) a ideia de um collectathon e… funciona impressionante bem!? O jogo é obviamente mais simples e menor, mas tem seu charme e foi bem legal conseguir praticamente 100% nele. Se você gosta de jogos de plataforma 3D ou mesmo da franquia em si, mas nunca experimentou, vale dar uma chance.


19) Pikuniku

PC/Mac/Linux/Nintendo Switch, 2019, Sectordub, Devolver Digital

Pikuniku

Eu estava cansado, bem acabado e passando por uma semana merda quando joguei Pikuniku e ele foi exatamente o que eu precisava. Uma história muito besta e simples, um visual fofinho, mecânicas engraçadinhas e fáceis, tudo que minha mente precisava pra se desligar um pouco do mundo e dar umas risadas. Talvez num dia normal eu não tivesse achado o jogo tão bom, então fica minha recomendação: deixa pra jogar Pikuniku num dia meio merda, que você só precisa se desligar e rir de qualquer besteira. Vai ser uma ótima noite.


18) GNOG

PC/iOS/PS4, 2017, KO_OP, Double Fine Presents

GNOG

GNOG foi um dos jogos que nunca tinha ouvido falar, mas que me chamaram a atenção enquanto vasculhava o gigantesco bundle que o itch.io vendeu esse ano. O primeiro de alguns point and clicks da lista, ele é bem simples e divertido, mas LINDO e COLORIDO. Ele joga cores na sua cara pra contar historinhas levemente abstratas, focadas em um grande e objeto complexo. É como se fosse um The Room (vamos falar dele mais tarde), mas com a direção de arte toda fumando LSD. Foi coisa de uma ou duas noites pra fechar, mas foi uma experiência muito legal e interessante.


17) Picross e2

Nintendo 3DS, 2011, Jupiter Corporation

Picross e2

Se você não conhece, Picross (ou Nanogram/Logic Pix) é um tipo de puzzle de revistinha bem famoso mundo afora, que pode até parecer um Sudoku ao longe, mas é bem diferente: você usa números em volta da malha quadriculada para formar um desenho pintando os espaços corretos. 2020 foi claramente o ano que eu abracei meu gosto por Picross e esse foi um dos responsáveis: eu ficava duas horas deitado na cama ouvindo podcast e jogando. Era uma forma bem legal de relaxar e me desligar um pouco do mundo que tava acabando. Esse Picross e2 ainda colocou um elemento que eu adoro, o Micross, que é um grande puzzle dividido em partes pequenas, formando imagens mais complexas. Eu recomendo demais, principalmente pela qualidade que a Jupiter coloca nos jogos (eles estão lançando a série Picross S pra Switch, fica a dica!).


16) Dedede’s Drum Dash Deluxe

Nintendo 3DS, 2014, HAL Laboratory, Nintendo

Dedede's Drum Dash Deluxe

O tipo de joguinho que eu queria fosse maior, porque ele termina muito, muito rápido. Na verdade, Drum Dash Deluxe é uma versão maiorzinha de um dos minigames de um Kirby lançado pro 3DS, mas maiorzinha ainda é bem pequeno. De toda forma, foi um dos joguinhos de ritmo baseados em física que eu mais gostei de jogar! Eu nunca gostei da ideia de ter que seguir as ações de um personagem ao ritmo da música (sempre preferi jogos mais abstratos e com menos delay), mas DDDD é muito bem feitinho e gostoso de jogar, mesmo quando ele te coloca em algumas sinucas absurdas.


15) Carcassonne

PC/Android/Nintendo Switch, 2017, Frima Studio, Asmodee Digital

Carcassonne

Talvez esse jogo só esteja pela cota de jogo de tabuleiro que uma lista minha deve ter, mas foi real legal jogar Carcassonne em um momento onde jogar boardgames fisicamente não era seguro. Não só pelo jogo em si que é bem legal, com mecânicas bem divertidas de Colocação de Peças e Alocação de Trabalhadores, mas pela versão digital em si, que facilita bastante a contagem de pontos e a leitura do tabuleiro. É bem raro dizer isso, mas provavelmente é melhor jogar Carcassonne digitalmente do que fisicamente e isso definitivamente é um motivo para estar na lista.


14) The Room Two

PC/Android/iOS, 2013, Fireproof Games

The Room Two

The Room é uma das melhores séries point and click disponíveis hoje, desde da construção dos puzzles em caixas mecânicas super complexas, quanto à ambientação mística e de suspense que todo o jogo. Vou falar dela de novo mais pra frente, mas The Room Two é bem competente em trazer uma boa e divertida experiência. Recomendo!


13) El Tango de la Muerte

PC, 2018, Hernán Smicht, YIRA::

El Tango de la Muerte

Mais uma das pérolas do bundle do itch.io, El Tango de la Muerte me fez saber o quanto eu iria gostar dele só pela premissa tão inusitada: um novelão argentino de época sobre um amor proibido, regado à música e à dança do tango, colocado dentro de um jogo rítmico com o visual baseado nas animações antigas do Monty Python. Poucas coisas me deixam mais feliz como jogador e desenvolvedor do que ver histórias diferentes sendo contadas da melhor maneira possível. Não é perfeito, mas definitivamente é uma experiência que eu nunca tive e vale a pena você ter também!


12) Super Mario Bros.

NES (Nintendo 3DS), 1985, Nintendo

Super Mario Bros.

2020 foi a primeira vez em que eu terminei um jogo 2D do Mario - e ainda foi o mais clássico de todos. De verdade, mesmo com os controles dos anos 80, mesmo com a história mais simples possível, é incrível o quão divertido e inventivo é Super Mario Bros., como novas fases conseguem trazer novidades usando poucos sprites e como é possível ficar realmente investido em um jogo de 35 anos atrás. Em época de um aniversário para ser lembrado, SMB não é só um jogo que ficou na história pelo impacto que teve, mas ainda é uma experiência bem legal de se ter.


11) Frog Fractions

Flash/PC, 2012/2020, Twinbeard Studios

Frog Fractions

Frog Fractions é uma experiência curta, estranha, engraçada e memorável. Qualquer coisa que eu falar vai estragar sua experiência, então aproveita que o jogo foi portado pra PC esse ano e está na Steam de graça.


10) BOXBOY!

Nintendo 3DS, 2015, HAL Laboratory, Nintendo

BOXBOY!

O único problema de BOXBOY! é também o motivo pelo qual eu gostei tanto do jogo: ele tem TANTO conteúdo que cansa, porque ele tem uma mecânica tão simples, mas tão legal e útil - poder criar blocos a partir do personagem que você controla -, que você tem praticamente possibilidades infinitas de diferentes níveis. Sem dúvidas, é um jogo que foca em ser um bom puzzle de plataforma e consegue. 2021 fica com a missão de jogar alguma das suas sequências.


09) Professor Layton and the Azran Legacy

Nintendo 3DS, 2013, Level-5, Nintendo

Professor Layton and the Azran Legacy

Professor Layton é uma das minhas séries preferidas dos jogos e o fim da trilogia original (Unwound Future) é um dos meus jogos favoritos de toda a vida. Azran Legacy, também em seu papel de fim de trilogia, não é um jogo tão excepcional, mas consegue trazer novidade (e fim) na ótima história dos Azran, além de concluir de uma forma incrivelmente bonita uma série que me trouxe muita felicidade. Falaremos mais de Layton nessa lista ainda, então calma aí!


08) The Room: Old Sins

iOS/Android, 2018, Fireproof Games

The Room: Old Sins

Como prometido, estamos falando de novo da série The Room, especificamente do melhor jogo da franquia. Old Sins não só leva a fórmula da série a um patamar de qualidade muito alto, como traz mecânicas e formas diferentes de ver o mundo, agora interconectado, que o jogo tem. Se a série era sobre desvendar caixas mecânicas complicadas, é possível ver todo o jogo como uma grande caixa, uma evolução natural e muito bem vinda. Se você gosta de jogos de escape room, essa indicação é certeira!


07) Picross 3D: Round 2

Nintendo 3DS, 2016, HAL Laboratory, Nintendo

Picross 3D: Round 2

E também como prometido, falaremos de Picross de novo. Quando eu tentei jogar Picross 3D pela primeira vez no DS, ele tinha um gameplay tão diferente e o jogo corria tanto com as diversas mecânicas que eu simplesmente deixei de lado em poucos minutos. Porém, Picross 3D: Round 2 faz um incrível trabalho em introduzir as novas mecânicas, deixando o jogo mais confortável. Em pouco tempo, eu já me sentia mais confortável jogando em 3D, principalmente em puzzles mais difíceis, já que a ideia de destruir blocos fazia mais sentido na minha cabeça as vezes. Se você puder jogar algum dia, certeza que vai adorar.


06) Guitar Hero III: Legends of Rock

PS2/PS3/Wii/Xbox 360/PC/Mac, 2007, Neversoft, Activision

Guitar Hero III: Legends of Rock

Eu sou um grande fã de jogos musicais, mas eu nunca tinha jogado pra valer a famosa franquia da guitarrinha de plástico até esse ano - talvez o fato de nunca ter tido um PS2 na vida seja o motivo. Porém, depois de tudo, devo dizer que Guitar Hero III: Legends of Rock foi a melhor forma de começar. Mesmo não sendo fã de rock, era muito legal conseguir acompanhar as músicas e ficar cada vez melhor nas pontuações, seguir a historinha da banda do modo carreira e jogar com meu irmão. Demorou, mas finalmente entendi porque Guitar Hero sempre foi tão aclamado (e deixa tanta saudade).


05) Mario & Luigi: Superstar Saga + Bowser’s Minions

Nintendo 3DS, 2017, ALPHADREAM, Nintendo

Mario & Luigi: Superstar Saga + Bowser's Minions

Sempre fui um grande fã dos RPGs do Mario e Paper Mario sempre será um dos meus jogos amados de toda a vida, mas nunca tinha tido realmente oportunidade de jogar algo de sua série irmã nos portáteis. Começando do começo, Superstar Saga foi um incrível começo, em um remake com várias mudanças para melhorar a qualidade de vida do jogo sem deixar de lado a ótima história e o sistema de batalha. Minhas experiências com as sequências dele não foram tão boas, mas esse é digno de recomendação no Top 5. (P.S.: eu mal toquei no modo extra do remake porque ele é chato.)


04) Professor Layton and the Last Specter

Nintendo DS, 2011, Level-5, Nintendo

Professor Layton and the Last Specter

Na última dobradinha dessa lista, vamos falar de novo de Professor Layton, especificamente de Last Specter, o primeiro jogo da trilogia de prequelas e o último antes da passagem pro 3D. Esse último fato, inclusive, nunca me desceu muito: os jogos no 3DS ficaram mais lentos, os puzzles levemente menos criativos e o foco absurdo em tentar aproveitar a tela 3D mais atrapalhava do que ajudava. Dito isso, Last Specter não chega aos pés do final da trilogia original, mas tem beleza no visual, na história e na criatividade de seus puzzles, sendo um dos melhores da franquia e um ótimo jogo de puzzle.


03) A Short Hike

PC/Mac/Linux/Nintendo Switch, 2019, Adam Robinson-Yu

A Short Hike

Um jogo tão incrível que entrou pra esse ano como um daqueles momentos em que eu consegui esquecer da realidade cruel que 2020 nos reservou e pude relaxar. A Short Hike, com seu visual extremamente lindo, sua premissa e diálogos simples e divertidos e uma série de coisas pra se fazer na ilha foi a minha válvula de escape perfeita. Não tem como jogar e não gostar, se divertir e se emocionar com o que as três horas de jogo disponíveis podem trazer. Se você precisa de um afago nesses momentos difíceis, acho que você precisa subir essa montanha também.


02) There Is No Game: Wrong Dimension

PC/Mac, 2020, Draw Me A Pixel

There Is No Game: Wrong Dimension

Desde quando vi esse jogo pela primeira vez, eu sabia que ele entraria nessa lista (que está sendo escrita horas depois de terminá-lo). O primeiro There Is No Game era uma pequena, mas incrível ideia, bem executada dentro de seu pequeno escopo. Wrong Dimension, por sua vez, expande o conceito incrivelmente, tanto em história quanto gameplay, mostrando o que talvez seja um dos mais inovadores e interessantes point & clicks já produzidos. Uma obra-prima feita para ser jogada sem nenhum tipo de spoiler, é um jogo que recomendo muito e me fez terminar o ano muito bem.


01) PAC-MAN Championship Edition DX+

PC/Xbox 360/PS3/Windows Phone/iOS/Android, 2013, Mine Loader Software, Namco Bandai Games

PAC-MAN Championship Edition DX+

E a minha melhor jogatina em 2020 foi… Pac-Man. É, incrível, né? Eu tenho um apreço muito grande por jogos elegantes ao ponto de usarem simples regras de gameplay para despertar emoções. É daí, inclusive, que vem meu amor por jogos de tabuleiro: eu sou fascinado em como papel e meia dúzia de regras podem fazer pessoas se divertirem por horas. PAC-MAN Championship Edition DX+ me deixou animado, empolgado, com uma sensação maluca de vitória e diversão usando as regras de um dos jogos mais conhecidos e batidos do mundo. Não deixa de ser Pac-Man, mas é o melhor que Pac-Man pode ser e eu amei. Que em 2021 eu conheça outro jogo tão elegantemente incrível como esse.


Menções Honrosas

Há alguns jogos que não entraram no Top 20, mas que merecem ser citados por também terem feito parte do meu 2020 nos joguinhos:

  • Cookie Clicker continua o melhor clicker já feito na história e fica ainda melhor sendo jogado em sua versão mobile.
  • Por mais que eu tenha achado muito difícil depois de um certo ponto, Rhythm Heaven Megamix é um jogo incrivelmente diferente e interessante e vale a pena ser jogado por todos os fãs de joguinho de música.
  • Esse ano eu conheci e joguei vários jogos da Rusty Lake, um time focado em fazer point & clicks/escape games. Depois de jogar uma dezena deles, meus preferidos foram Cube Escape: Seasons, Samsara Room e Cube Escape: Paradox.
  • Incrivelmente, o “pior” jogo que eu joguei esse ano também foi deles - Cube Escape: The Lake -, de longe o episódio mais fraco da série deles e um dos point & clicks mais chatos que eu já vi. Nem tudo são flores, né?
  • 2020 foi quando eu aprendi jogar Paciência pela primeira vez, inclusive! O que eu mais joguei foi o Solitaire: Decked Out no Android.

E foi isso, 2020 foi um ano bem difícil, complicado e sofrido e 2021 não vai começar muito diferente. Pelo menos, eu consegui me conectar de novo com um hobby que gosto bastante e passar um tempinho em mundos e histórias novas - isolado em casa, claro. Se você tiver curiosidade, aqui tem uma lista mais completa, mas sem comentários. Feliz Natal, feliz ano novo e até outra lista ano que vem!