(esse texto, originalmente, foi postado no PlayReplay em 2015, mas como as imagens estão todas quebradas por lá e eu gosto desse texto, decidi repostá-lo com imagens por aqui. Alguns outros textos no blog também estão nessa situação de re-post, mas espero que aprecie!)

Doctor Who é uma série que, infelizmente, vem oscilando nos últimos anos. Depois de uma inesquecível sétima temporada, com as comemorações de 50 anos da série, a oitava temporada foi bem mais morna e, para alguns, desapontadora.

ATENÇÃO! Spoilers de todos os episódios da Series 9 a partir daqui. Afinal, se você assiste Doctor Who, você sabe o poder que tem um spoiler, não é? River Song: "Spoilers!"

O ano de 2015, no entanto, foi revitalizador para o Doutor e suas aventuras. Com uma qualidade há muito tempo vista apenas em episódios isolados, essa Series 9 teve muitos pontos altos e outros bem fracos, mesmo que sejam poucos. É hora de pegar a TARDIS e revisitar os momentos dessa temporada para (tentar) chegar em um veredito: afinal, quem é o Híbrido? Ou será que não é essa a pergunta que precisamos nos fazer depois de tanta coisa?

Aventuras duplamente interessantes

Provavelmente, essa temporada será lembrada por ser uma com o maior número de episódios duplos. Mesmo com a quantidade menor de histórias, elas foram muito bem construídas, começando pelo premiere: The Magician’s Apprentice e The Witch’s Familiar. Como já está virando rotina, a ideia aqui foi mexer mais uma vez no cânone de Doctor Who e trazer de volta Davros, o criador dos Daleks, mostrando a relação entre ele e o Doutor, desde a infância do arquinimigo.

Under the Lake e Before the Flood, por sua vez, trouxeram uma trama um pouco menos épica, mas bem construída dentro de um verdadeiro paradoxo temporal. The Girl Who Died e The Woman Who Lived foram responsáveis pela criação de uma das personagens mais fortes dos últimos tempos na série, a imortal Ashildr, maravilhosamente interpretada por Maisie Williams. Já a dobradinha The Zygon Invasion e The Zygon Inversion, além de continuar e fazer jus à ótima história do especial de 50 anos, deu origem a um dos melhores monólogos de toda a história do Doutor.

The Zygon Invasion

Coincidência ou não, Sleep No More foi o único episódio isolado da temporada e o mais fraco de todos, consideravelmente. Por mais que seu conceito — uma perspectiva em primeira pessoa, como no clássico A Bruxa de Blair — e toda a metalinguagem por trás seja bem interessante, a história não foi bem construída e não deu para engolir a origem dos Sandmen. Ah, e aquela música que tocava nas sessões do Morpheus é muito irritante, mesmo.

Personagens marcantes

Boas personagens também foram uma marca dessa Series 9, desde as já conhecidas pelo público até algumas novatas. A caótica Missy (Michelle Gomez) roubou a cena em The Witch’s Familiar, mostrando que essa encarnação do Mestre ainda tem muito o que causar. Osgood (Ingrid Oliver) também continuou encantando a todos em The Zygon Invasion e The Zygon Inversion, mas infelizmente acabou com nossas esperanças de vê-la como companion no futuro.

Entre as novas personagens, é claro que o maior destaque foi a já citada Ashildr, mas outras também deixaram os espectadores muito felizes com as suas aparições, como a simpática Alice O’Donnell (Morven Christie) e a segura Jennifer Cass (Sophie Stone) em Under the Lake e Before the Flood.

Essa temporada também foi o que Peter Capaldi precisava para mostrar a que veio. Com uma atuação realmente marcante, ele introduziu o seu jeito “badass” de ser o Doutor, usando óculos escuros sônicos (e ganhando a sua chave de fenda sônica nova!) e sempre destruindo em sua guitarra. Espero mesmo que, nas próximas aventuras, o 12° Doutor tenha uma nova companion que faça jus a todo o potencial de Capaldi.

The Magician Apprentice

Espera… Eu disse uma nova companion?

Adeus, Clara! Olá, Gallifrey!

Sim, o finale dessa temporada foi a despedida de Jenna Coleman no papel da maravilhosa Clara Oswald. E com muito esmero, eu diria, graças à incrível trama de Face the Raven. Capaz de mostrar toda a força construída nesses últimos anos, a Garota Impossível mostrou toda a sua coragem para enfrentar a morte e dar adeus. Heaven Sent, o melhor episódio da Series 9, sem dúvidas, mostra o outro lado da moeda: o Doutor enfrentando os seus medos dentro do seu disco de confissão. Toda a complexidade da personagem e a incrível capacidade de Capaldi nesse papel estão ali, materializados em 55 minutos de vídeo.

Face the Raven

Hell Bent, o último episódio, é que acaba com essa continuidade de ótimas histórias. Por mais que a volta de Gallifrey seja algo excepcional — e toda a ação do Doutor para com a Alta Cúpula também —, a loucura que ele faz para trazer Clara de volta a vida tira toda a beleza da morte dela em Face the Raven. Infelizmente, é aquela pequena maçã podre que acaba deixando um gosto amargo em todo o resto. Aliás, mesmo com vários híbridos aparecendo (os Daleks de The Witch’s Familiar, Ashildr, Osgood e os Sandmen), a resposta para a pergunta da temporada fica muito vaga e também acaba perdendo sua importância; foi quase uma frustração saber que, talvez, “o Híbrido” seja o Doutor e a Clara juntos.

O Natal chega e um novo ano começa

The Husbands of River Song, o especial de Natal desse ano, é aquela cereja do bolo que faltava. O verdadeiro destaque, além do ciúme descontrolado do nosso Senhor do Tempo preferido, é a relação entre o Doutor e River Song, interpretada pela maravilhosa Alex Kingston. Mais divertido e tranquilo que o último especial, Last Christmas, o episódio tem aquele gostinho triste de algo está acabando — até porque esse é o último fato da vida de River antes da ida à biblioteca, onde será salva pelo Doutor pela última vez (a.k.a. a primeira aparição dela na série, em 2008).

The Husbands of River Song

Assim o ciclo da “Garota Impossível” chega ao fim. A Series 9 foi cheia de ótimos momentos, mas alguns erros ainda estragaram o que, até então, foi uma das melhores temporadas da série. Nesse momento de recomeços, fica a verdadeira pergunta: do que Doctor Who precisa para ser memorável em 2016?